terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Desabafo de um Doté!


A história do Brasil e do povo brasileiro está ancorada pelo estigma da
escravidão e pela perseguição, mesmo após a abolição da escravatura, das
manifestações de origem afro-brasileira, principalmente a religião. Levando em
consideração as perseguições sofridas, direta e indiretamente, pelo Candomblé –
primeira religião afro-brasileira institucionalizada, de onde se originaram a maioria das
manifestações folclóricas mais populares – e a sua função de representatividade da
população negra, caracterizamo-lo como religião de resistência não só por ter sido
criado no contexto da escravidão e da proibição de junções comunitárias de cativos para
qualquer finalidade religiosa, mas por ter sobrevivido ao sincretismo e ao tempo,
possuindo ainda a força de retratar a história brasileira com sua herança africana. A religião de matriz africana, assim como as demais manifestações culturais
afro-brasileiras, sofreu fortes represálias quanto a sua execução, sendo ainda mais
combatida por supostamente ir de encontro a religião oficial, a religião católica, e,
conseqüentemente, atentar contra os valores morais e sociais da burguesia colonial.

Hoje vivenciamos uma nova modalidade de intolerância e preconceito imanada nos evangélicos que brutalmente nos perseguem e nos agredi verbalmente, se organizando politicamente criando leis que nos proíbem de exercer o nosso culto ou a nossa liberdade de expressão. É claro que eles estão em todos os lugares; bancada federal, câmara municipal e estadual, órgão público.  Essas perseguições ocorreram em vários estados do Brasil entre eles; Bahia, Alagoas, Pernambuco, Rio de Janeiro... E é bem visível podemos ver nos jornais e até na net.

 Em Maceió-AL
Quase um século depois, do “Quebra de Xangô” violento episódio de repressão aos cultos afro-descendentes ocorrido na cidade de Maceió, em 1912. Maceió volta a ser palco de episódios desse tipo. Alguns pais e mães de santo tiveram seus terreiros invadidos e objetos sagrados apreendidos pela Polícia Militar. Os religiosos estão com medo de que essa situação se agrave e que possa vir a se transformar em um retorno de 1912.

Toda essa repressão vivida pelo povo do axé em Maceió, é a falta de políticas públicas afirmativa para o nosso seguimento, e minha maior preocupação é os lideres religioso que muitos deles não querem se expor pela idade por não entender do assunto ou pelo fato de ser manipulados criando uma vacância dentro do movimento político e enfraquecendo as ações e deixando para os oportunista.

Existe uma proposta em Maceió, para todos esses episódios que nós da Religião de Matriz Africana vivenciamos diariamente, que é “TAMBORES DE XANGÔ REZADO ALTO”, que vai repercutir Nacionalmente, então não é só para Alagoas e sim para o Brasil. Eu enquanto adepto e lide religioso militante não mim contemplo com “REZADO ALTO” pois sub entende que o Candomblé e Umbanda tem a liberdade de culto e expressão!! Isso não é verdade! Pra mim é querer colocar uma mascara ou maquiar uma realidade vivida pelos religiosos de todo Brasil, é querer fazer de conta que estar tudo bem! É querer dizer que estamos acobertados pelas leis que não são respeitadas e sabemos como é a politicagem da política em nosso país.

O “TAMBORES DE XANGÔ REZADO BAIXO”, como ficou conhecido os Terreiros de Alagoas, após o Quebra de Xangô, por não poderem os terreiro tocar seus Atabaques ou Ilús, eram realizadas as cerimônias na palmas. Hoje nós brasileiro adepto do candomblé vivenciamos isso através da lei do silêncio da perseguição das outras religiões. Eu apoio o “REZADO BAIXO” pois sub entende que nós precisamos estar mais unidos, organizados e atuantes. A perseguição ela existe e não podemos mascara-lá é a nossa realidade vivida!  Não vivo do passado pois eu acredito no futuro que vira o presente.



Perço a compreensão dos leitores e seguidores pelo meu desabafo, e perço para os religiosos afro que der suas contribuições ou se manifeste sobre o assunto abordado.


Eu preciso saber o que o povo de terreiro tem a dizer sobre esse fato.



Sou Doté Elias Sacerdote e Militante do Movimento Social, onde tenho um Mùnkpàmé de Culto Jeje Mahi em Maceió – AL.

2 comentários:

  1. |Conheço a história da quebra de 1912, época em que o governador era o Dr.Fernandes Lima, assim como existe um lenda ou verdade que toda a família do governador que foi o mandante, ficou "maluca", depois das quebras
    Claudia de Bulhões

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  2. O que eu tenho a dizer, é que está na hora de acabar com a falácia e agirmos. O povo de santo vive se vitimando com o argumento da perseguição, mas, toda vez que um membro da religião se candidata, não são votado principalmente pelos membros do Candomblé, que muitas vezes preferem votar em candodatos evangélicos.
    Claro que o manifesto tem o meu apoio. Porém, não vejo a comunidade de santo se manifestando na direção de mudar o quadro político, o que vejo, pelo menos na internet, é a auto promoção, os "sabe-tudo", os "donos do axé", com posturas cada vez mais separatistas.
    O quadro precisa mudar a partir de dentro, pois eles, os evangélicos, já perceberam que a união que existe entre o povo de santo soa como artificial. É essa visão que precisa ser mudade, assim ganharemos força e realmente conseguiremos mudar o quadro político.
    Boa sorte e vou linkar sua postagem para meu blog a fim de ajudar na divulgação.
    Grande abraço!
    Doté Jorge.

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